Treinar a resposta europeia em condições de catastrofe real
O topico UCPM-2026-KAPP-EX (Full Scale Exercises) financia projetos cujo evento central e um exercicio de larga escala (full-scale exercise) multinacional, capaz de testar em condições reais a ativacao do Mecanismo de Proteção Civil da Uniao (UCPM), a mobilização de equipas e meios da European Civil Protection Pool (ECPP) e a coordenacao operacional entre Estados Membros e o Emergency Response Coordination Centre (ERCC).
A logica da Comissão e clara, nenhum Estado-Membro consegue treinar sozinho a resposta a uma catastrofe transfronteirica complexa. As licoes sobre incendios em Portugal e Grecia, inundacoes na Eslovenia ou na Alemanha e terramotos no Mediterrâneo mostram que o sistema europeu de proteção civil precisa de praticar a sua própria operação em ambientes simulados realistas. Este aviso paga essa prática.
O instrumento e relevante para Portugal nao apenas pelo perfil habitual de risco (incendios florestais, sismos, eventos meteorologicos extremos, riscos costeiros) mas tambem porque a Autoridade Nacional de Emergencia e Proteção Civil (ANEPC) e municipios em areas criticas podem coordenar consorcios europeus a partir do nosso território.
O que tem de incluir um projeto KAPP-EX
O projeto financiado tem de cobrir o ciclo completo de um exercicio full-scale, do desenho a avaliação final. Os beneficiarios concebem, planeiam, executam e auto-avaliam um único exercicio multinacional, com o seguinte conjunto mínimo de elementos obrigatorios:
- Cenario realista e desafiante: baseado em avaliações de risco nacionais ou setoriais, ligado a ameacas como incendios florestais, inundacoes, sismos, tsunamis, riscos industriais, disrupcao de infraestruturas criticas, poluicao maritima, riscos epidemicos ou CBRN.
- Estruturas de comando e controlo: para o projeto e para a conducao do exercicio, com cadeia de decisao operacional clara.
- Ativacao do Mecanismo: simulacao real do pedido de assistencia internacional via UCPM.
- Mobilização de uma EU Civil Protection Team: com observadores e papeis operacionais.
- Mobilização de meios e equipas da ECPP: recursos pre-comprometidos pelos Estados-Membros para resposta europeia conjunta.
- Uso do CECIS: Common Emergency Communication and Information System, sistema de comunicação operacional do ERCC.
- EU Host Nation Support: aplicacao das guidelines europeias sobre acolhimento de equipas estrangeiras em território nacional.
- Avaliação, licoes aprendidas e visibilidade UE: componentes obrigatorias de fecho do projeto.
Quem se pode candidatar
O perfil tipico de candidato a KAPP-EX e o de uma autoridade de proteção civil nacional ou regional, frequentemente em consorcio com homologos de outros Estados Membros e com participacao de municipios em areas de risco identificado. Em Portugal, isto significa em primeiro lugar a ANEPC, mas tambem comandos distritais, servicos municipais de proteção civil em territórios costeiros ou florestais e entidades de gestão de catastrofes naturais.
Universidades e centros de investigação em risco, ciencias da seguranca e gestão de emergencias podem entrar como parceiros técnicos com responsabilidade sobre desenho de cenario, avaliação do exercicio e produtos de licoes aprendidas. Empresas privadas com tecnologia operacional em telecomunicacoes de emergencia, drones, sistemas C2 ou simulacao podem participar como fornecedores técnicos relevantes para a parte simulada.
EX vs PVPP: dois caminhos distintos
A chamada KAPP 2026 do programa UCPM separa-se em duas linhas que respondem a logicas diferentes e que nao competem entre si. E util conhecer as duas para escolher onde a candidatura tem mais sentido:
| Linha | Foco | Output central |
|---|---|---|
| UCPM-2026-KAPP-EX | Exercicios full-scale (este aviso) | Exercicio multinacional executado |
| UCPM-2026-KAPP-PVPP | Prevencao e preparacao (knowledge for action) | Conhecimento, ferramentas e capacidades institucionais |
A linha EX e operacional, paga-se por um exercicio efetivamente realizado. A linha PVPP financia projetos de conhecimento, sensibilizacao pública, alerta precoce e capacitacao institucional, sem evento operacional único como produto central.
Datas-chave
- Abertura indicativa: 3 de fevereiro de 2026
- Deadline de submissão: 19 de maio de 2026
- Avaliação e contratacao: calendario indicativo na seccao 4 do call document
A janela e curta para construir um consorcio multinacional de raiz, mas suficiente para uma autoridade portuguesa que ja participe em redes europeias de proteção civil e que tenha um cenario de exercicio em discussao com homologos.
Quando faz sentido candidatar
- Autoridades nacionais de proteção civil: com mandato para coordenar exercicios cross-border e contactos operacionais ja estabelecidos com homologos europeus.
- Comandos regionais e municipios em zonas de risco identificado: incendios, inundacoes costeiras, riscos sismicos, instalações industriais Seveso.
- Universidades e centros de investigação em ciencias da seguranca: como parceiros técnicos para desenho de cenario e avaliação.
- Empresas de tecnologia operacional para emergencias: sistemas C2, comunicacoes de emergencia, sensorizacao, drones, plataformas de coordenacao, em papel de fornecedor técnico do consorcio.
O que recomendamos
O KAPP-EX e um instrumento operacional, nao um financiamento de estudos. Quem se candidata tem de estar em condições reais de mobilizar dezenas (potencialmente centenas) de operacionais durante varios dias, em coordenacao com paises terceiros, sob escrutinio de observadores da Comissão Europeia e dos restantes Estados Membros. Isto exige maturidade institucional e disponibilidade de recursos que poucas entidades portuguesas tem fora da ANEPC e de algumas autoridades regionais especializadas.
Para empresas tecnologicas, a entrada natural e como fornecedor de plataformas e equipamentos integrados na execução do exercicio. O consorcio nao se monta a partir da empresa, monta-se a partir da autoridade pública. A oportunidade comercial esta em ser identificado cedo como provedor de uma capacidade especifica (comunicacoes seguras, plataformas C2 multilinguagem, deteccao por drone, gemeos digitais de cenario) e entrar no consorcio antes da redacao final da proposta.
A armadilha mais comum nestas candidaturas e subestimar a parte de avaliação e licoes aprendidas. A Comissão avalia a qualidade do exercicio nao pela espetacularidade do dia D, mas pela solidez dos produtos pos-exercicio, relatorio de avaliação independente, recomendacoes de politica pública, ajustamentos a doutrina operacional UCPM. Sem este pilar, mesmo um exercicio bem executado fica abaixo do limiar de pontuacao.
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