Este instrumento encontra-se encerrado. As candidaturas ja nao estao abertas.
Visão Geral

Da resposta operacional ao trabalho de raiz

A chamada UCPM-2026-KAPP-PVPP financia projetos de cooperação europeia em prevencao e preparacao a catastrofes. Diferentemente da linha gemea KAPP-EX, que paga exercicios operacionais, esta linha financia o trabalho silencioso e de longo prazo, conhecimento, ferramentas, capacidades institucionais e cultura de risco que reduzem a probabilidade de uma catastrofe se transformar em desastre.

A racional politica e a convergencia de duas pressoes. Por um lado, as alteracoes climáticas multiplicam a frequencia e intensidade de eventos meteorologicos extremos. Por outro, a Union Disaster Resilience Goals e a Preparedness Union Strategy estabelecem objetivos operacionais a Estados-Membros que muitos servicos nacionais ainda nao tem capacidade para cumprir. O KAPP-PVPP tenta colmatar essa lacuna com fundos europeus para projetos transnacionais que produzem conhecimento aplicavel.

Para Portugal, o instrumento e relevante para os ecossistemas que trabalham riscos territoriais (incendios, inundacoes, sismos costeiros, eventos extremos de calor) e para entidades que ja dialogam com homologos europeus em fora de cooperação em proteção civil ou ciencias do risco.

Tres Prioridades

Onde se compete

Os candidatos podem escolher uma ou varias das tres prioridades estabelecidas pela Comissão. Cada uma tem ligacao direta a uma Union Disaster Resilience Goal:

PrioridadeFocoResilience Goal associado
P1Sensibilizacao e preparacao da populacaoGoal 2 - Prepare
P2Alerta precoce a acao precoceGoal 3 - Alert
P3Capacidade institucional do sistema de proteção civilRobustez sistemica

A escolha da prioridade nao e meramente técnica. Define o tipo de consorcio, o tipo de produto final, a metrica de sucesso e o público-alvo. Vale a pena examinar cada uma com algum detalhe antes de tomar essa decisao.

Prioridade 1

Sensibilizacao e preparacao da populacao

A populacao e o primeiro respondedor a qualquer catastrofe. Quando um sismo, um incendio ou uma inundacao acontece, sao os cidadaos no terreno que nos primeiros minutos decidem quem se salva e quem morre. Esta prioridade financia projetos que aumentam a literacia de risco e a capacidade real de autoprotecao das pessoas.

Tipologia de projeto elegivel:

  • Educação formal e nao-formal sobre risco: programas escolares, formacao de adultos, campanhas dirigidas a grupos vulneraveis (idosos, criancas, pessoas com deficiencia).
  • Plataformas e ferramentas digitais públicas: aplicacoes, portais e canais que dao acesso continuado a informacao de risco contextualizada por localizacao.
  • Combate a desinformacao em emergencias: ferramentas e protocolos contra a manipulacao informativa em fases criticas.
  • Engajamento ativo de cidadaos: redes de voluntariado de proximidade, equipas locais de proteção civil, programas community-based.
Prioridade 2

Do alerta precoce a acao precoce

Os sistemas de alerta precoce existem ha decadas, mas a Comissão reconhece que continuam a falhar no ultimo passo, transformar o alerta em acao concreta no terreno. Esta prioridade financia projetos que reforcam a ponte entre instituicoes de previsão (meteorologicas, geofisicas, sanitarias) e autoridades públicas que precisam de agir.

Tipologia de projeto elegivel:

  • Adaptação de protocolos de alerta a operações reais: traducao de avisos meteorologicos ou sismicos em decisoes operacionais standardizadas.
  • Reforco de sistemas públicos de aviso e alerta: cell broadcast, EU-Alert, sirenes integradas com alertas multimodais.
  • Capacitacao conjunta de previsores, administracao pública e gestores de infraestruturas criticas: linguagem comum, procedimentos partilhados.
  • IA e Machine Learning aplicados a alerta precoce: a Comissão incentiva propostas que integrem análise comportamental de incendios florestais com sistemas de previsão para servir necessidades operacionais regionais.
Prioridade 3

Capacidade institucional dos sistemas de proteção civil

As autoridades nacionais de proteção civil enfrentam transformacoes rapidas, riscos compostos, mudancas climáticas, complexidade institucional crescente. Esta prioridade financia projetos que reforcam a capacidade interna dessas autoridades, em logica de preparedness by design, integrando licoes aprendidas em estruturas duraveis.

Tipologia de projeto elegivel:

  • Transferencia de conhecimento entre stakeholders: integrar input de ciencia e investigação em atividades de partilha relevantes para gestão de risco.
  • Metodologias de transferencia de skills: formacao continua, certificação de competencias, programas inter-pares entre autoridades.
  • Whole-of-society approach: cooperação estruturada entre públicos, privados, sociedade civil e comunidades.
  • Integração de licoes de emergencias recentes: incorporacao sistematica de aprendizagens em politicas, doutrina operacional, planos e investimentos futuros.
Beneficiarios

Quem se pode candidatar

O leque de beneficiarios elegiveis e amplo, refletindo a logica whole-of-society do programa. Os perfis tipicos sao:

  • Autoridades nacionais, regionais e locais com mandato em gestão de risco: ANEPC, comandos distritais, servicos municipais, autoridades de saúde pública, agencias de meio ambiente.
  • Universidades e centros de investigação: em ciencias do risco, ciencias da Terra, comportamento humano em emergencias, comunicação pública, IA aplicada.
  • Organizações nao-governamentais e da sociedade civil: com atuacao em educação, juventude, populacoes vulneraveis ou comunidades em territórios de risco.
  • Empresas privadas: com tecnologia em alerta, comunicação multimodal, IA, sensorizacao ou plataformas digitais públicas.
  • Instituicoes de previsão: servicos meteorologicos, hidrograficos, geofisicos.
Calendario

Datas-chave

  • Abertura indicativa: 18 de fevereiro de 2026
  • Deadline de submissão: 19 de maio de 2026
  • Avaliação e contratacao: calendario indicativo na seccao 4 do call document
Perspetiva Open Capital

O que recomendamos

A linha PVPP e mais acessivel para um espectro alargado de organizações portuguesas do que a linha EX, exatamente porque nao exige a capacidade operacional para conduzir um exercicio multinacional. E uma janela razoavel para universidades, centros de investigação em risco, ONGs especializadas em vulnerabilidade social a catastrofes, empresas de tecnologia digital aplicada a emergencias e servicos de proteção civil regionais.

A escolha da prioridade deve resultar de uma leitura honesta do que o consorcio sabe entregar. A Prioridade 1 (sensibilizacao) compete por qualidade de comunicação pública, escala de alcance demonstrado e robustez metodologica de avaliação de impacto. A Prioridade 2 (alerta precoce) compete por sofisticacao técnica, capacidade de integração de sistemas e parcerias com instituicoes de previsão validadas. A Prioridade 3 (capacidade institucional) compete por densidade de conhecimento setorial, qualidade de produtos academicos ou doutrinarios e maturidade do diaologo com administracao pública.

A armadilha mais comum em propostas KAPP-PVPP e prometer tudo a todos, projetos que tentam cobrir as tres prioridades em simultaneo costumam ficar abaixo do limiar de pontuacao em todas. Concentrar uma proposta numa única prioridade, com objetivos especificos e metodologia robusta e tipicamente mais competitivo.

Comentários, correções ou contrapontos são bem-vindos: [email protected]